No campo, produtividade e tecnologia são inseparáveis. Esse casamento está por trás de algumas das experiências mais bem sucedidas do agronegócio. O PEGN TEC foi até o interior de São Paulo conhecer a startup que ajuda fazendeiros a aumentar a produção. A empresa usa um conceito chamado “agricultura de precisão”.

O empresário Leonardo Menegatti tem uma agritech, uma startup voltada para o agronegócio. No caso dele, a “agricultura de precisão”. “Uma vaca que produz 20 litros de leite recebe metade da ração de uma vaca que produz 40 litros. Nós estamos trazendo esse conceito para agricultura”, explica o empresário.

Nas plantações tradicionais, sementes, adubo, calcário são distribuídos da mesma maneira sobre terra. Na hora de colher, o fazendeiro vê que a produtividade do terreno não é igual. O motivo está na “variabilidade”, ou seja, na diferença de fertilidade de cada parcela do solo.

A agricultura de precisão é um conjunto de ferramentas que permitem identificar essa variabilidade e agir de maneira a aumentar ou o potencial produtivo ou fazer com que o empresário produza mais e gaste menos onde não vale a pena investir.

A startup mostra para o produtor onde coletar o solo, o tipo de análise a ser feita e como fazer a adubação. A inovação está no software que ajuda na análise dos dados.

Em uma usina de cana-de-açúcar, em Charqueada, no interior de São Paulo, o trabalho com a startup começou há cerca de quatro anos. “Hoje com o trabalho que tem na plataforma, ela nos traz facilidade da gente conseguir fazer o tratamento de faixa a faixa”, explica o gerente agrícola, José Carlos Rodrigues.

A maioria das agritechs brasileiras surgiu nos últimos dois anos. A maior parte delas oferece tecnologia para suporte de decisão (55%) e gestão (50%).

“Se a gente pensa em soluções para agro, tem que montar uma agenda longa de visitas e fazendas e isso só ai dá para perceber o quanto vai ser mais complexo, investimento maior de viagens e hospedagem para validar o produto”, afirma Tomé.

Outra característica das agritechs é a de que o empreendedor tem que conhecer profundamente o setor em que está atuando no caso, a agropecuária. Isso porque é uma área cheia de peculiaridades e só tendo experiência no setor e conhecimento para entender os problemas que precisam de solução. “Você conhecer os dois lados do problema, as dores e as possíveis soluções é que gera oportunidade para propor novas soluções”, diz Leonardo Menegatti.
Como ele, a maior parte dos empreendedores do setor tem formação específica, pós-graduação (53%) e experiência relevante na área (88%).

Hoje o Brasil tem 75 agritechs, a maior parte se divide entre Minas Gerais (18%) e São Paulo (50%). O consultor José Tomé criou, em Piracicaba, perto de Charqueada, uma “venture biulder”, uma espécie de aceleradora para apoiar startups que querem entrar no setor. Ele destaca que é importante estar perto dos possíveis clientes. “Estar num ambiente certo e estar conectado aos atores do sistema que estão querendo fomentar o sistema é fundamental isso, não tem condições de você desenvolver uma startup do agro muito fora desse ambiente.”

Alguns setores ainda são carentes de inovação como avicultura e piscicultura. Existem algumas soluções, por exemplo, que já estão indo muito bem na área de soja, mas até que ele replique essa solução de soja para milho, café e outras culturas, vai se levar um tempo”, completa Tomé.

Com dois anos de atuação, a startup está perto de analisar cerca de dois milhões de hectares ou 20 mil quilômetros quadrados.

Fonte: PEGN